De acordo com as formulações de Heidegger sobre a questão do "ser", Derridá argumenta, a partir de suas próprias reformulações, sobre a pergunta inaugural da filosofia, qual seja: o que é o ser?
“Daquilo com que mantêm contínuo contato do Lógos discordam; e as coisas que encontram diariamente parecem-lhe estranhas”. (Fragmento 72 Heráclito).
quarta-feira, 6 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Pragmatismo é também reducionismo.

Já no séc. XIX, Kierkegaard, em As obras do amor, afirmava (ironicamente) que sério é ganhar dinheiro, mesmo que seja vendendo seres humanos como escravos.
Parece que mudamos o contexto histórico, mas em nossos dias “ganhar dinheiro” enquanto sinônimo de felicidade, continua sendo ainda levado muito a sério.
Só que essa “pragmática seriedade” vemos hoje, por exemplo, no trabalho escravo infantil, no olhar totalitário e absoluto de alguns "supostos empresários" que a exemplo nos moldes do panoptismo, (modelo de vigilância e punição adotado nos campos de concentração nazistas) parecem ainda viver no século passado. Contudo, lamentavelmente, a sujeição dos indivíduos em virtude da necessidade, na maioria dos casos, parece ainda predominar.
Ora, sabemos que sem “moeda” não vamos muito longe e um “emprego” pode nos dar a possibilidade de uma vida digna. É possível, mas nem sempre ocorre de modo necessário. O emprego é necessário, mas a dignidade, (por vezes tolhida por alguns tipos ainda totalitários e completamente amoldados ao sistema capitalista) nem sempre é possível. Sob este aspecto não resta dúvidas de que o dinheiro é o movente do mundo. Impressiona, porém, o fato de que ainda muitos, com vistas à “felicidade”, são “movidos” por ele. Daí uma questão que me acossa: quem de fato está no comando? O sujeito ou o objeto? Aqui há ausência de sujeito, me parece, meramente sujeitado pelo objeto. De fato parece que evoluímos muito em termos de tecnologias, mas continuamos no espírito do mecanicismo que na modernidade via na metáfora dos relógios, por exemplo, a possibilidade de uma explicação reducionista, inclusive sobre a totalidade do homem. Aqui o pressuposto é de que o todo é igual a soma das partes. Parece que continuamos na crença das “certezas” predominante no positivismo, que supõe a passagem de uma “incerteza objetiva” (idéia de incompletude) para a “certeza objetiva” (idéia de completude).
Onde estão os sujeitos de nosso tempo?
Movidos pela “certeza”, me parece, pois o pragmatismo parece seguir esse pressuposto mesmo que tendo em vista o lado prático, torna-se reducionista, pois supõe também no sujeito que a soma das partes é igual ao todo. Nesse sentido, já que a verdade é individual e relativa, tomada por base no que se está vivendo ou necessitando no momento, então o que possa ser de interesse de um indivíduo pragmatista pode passar a ser destrutivo ou prejudicial a outrem que é atingido por sua decisão unilateral.
Eis aí um dos impasses do nosso tempo.
Na palavra o reverso do olhar
Na palavra, daquilo que é possível pronunciar, sempre há o que subjaz nas entrelinhas. Por vezes, o que é dito mostra apenas o reflexo de uma profunda solidão e melancolia, outras vezes emerge o seu contrário: uma alegria exacerbada. Isso que aparentemente se mostra é possível, mas talvez não seja apenas isto. Nas diversas formas de expressão da vida enquanto arte, podemos pensar que a constância do riso, aquela alegria visível pode até ser mesmo alegria, mas pode ser também que seja apenas máscara. Já a tristeza aparente, o dizer poético, aquele distanciamento do olhar pode ser mesmo tristeza, mas pode ser do mesmo modo solitude. O olhar sobre si enquanto reflexibilidade, aos olhos dos demais pode parecer melancolia, mas pode ainda que seja riso.
sábado, 26 de março de 2011
Projeção é amor de si
Toda paixão é ainda o amor de si.
Justificativa talvez, para a afirmação: “amo a mim mesma e é recíproco”; vejam! não há nessa afirmação qualquer sentido pejorativo.
Ora, sabemos que o pressuposto do amor ao outro se fundamenta na suposição de que "ao menos" amamos a nós mesmos. No entanto, me parece que há aí um rasgo sobre o fundamento do amor que vem sendo confundido. O que ocorre, suponho, é que nos equivocamos quanto a alguns significantes.
Na paixão a projeção ocorre porque idealizo o outro como uma espécie de espelhamento, ou seja, projeto no outro não apenas aquilo que sou, pois há ainda o que em mim desconheço; aquilo que gostaria de ser enquanto ideal de perfeição e desejo de plenitude. Somente quando, com o tempo, essa “ideia” desvanece, nos vemos diante daquele que é e sempre será singular. Vemos, então, pela primeira vez o outro de fato. Aqui a alteridade provoca, muitas vezes, aquela ambigüidade que equivocadamente supõe sinônimas as significações entre amor e paixão. Daí a certeza, no mínimo contraditória, na voz dos poetas...
A música, nesse sentido, enquanto expressão poética parece sempre dizer algo. Isso me faz lembrar o quanto aprecio escutar Carla Bruni e seu canto "apaixonado". Bruni tem uma canção, cujo título parece apontar para esta contradição, que diz: "Notre grand amour es mort".
sexta-feira, 11 de março de 2011
Alternativa Zero

Se os outros são inferno ou erro para nós,
A julgar pela voz de Sartre ou de Pessoa,
Que alternativa resta que nos seja boa,
Fora outro inferno ou erro: a vida pobre a sós?
(Professor NEDEL, 2009)
"O inferno são os outros" (Sartre, 1947).
"E cada um de nós é o erro de cada um de nós apenas" (Fernando Pessoa, 2006).
domingo, 6 de março de 2011
CHICO BUARQUE & MILTON NASCIMENTO - O QUE SERÁ (1976)
Esse que nos move...
... reinvenção, criação e arte...
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