sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O amor enquanto desejo de Plenitude

A poesia revela, no que subjaz nas entrelinhas do que pode ser dito, algo que nos lança ao infinito. Encantamento é o que sentimos quando a sonoridade das palavras nos conduz a uma espécie de musicalidade... cadência... Nesse sentido, a poesia nos remete aos recônditos de nossa psique. O amor enquanto desejo de plenitude e a possibilidade de experenciá-lo no tempo.
Proponho, então que partilhemos de um breve instante desta musicalidade, em Cantares;
nas sábias palavras de Cecília Pires.:

Cantares

Eu quero um Olhar de amor
para embalar teu riso;

Eu busco um momento especial
para ouvir tua voz;

Eu desejo o dia
para te ver brilhar;

Eu anseio pela noite
para te encontrar;

Eu quero ser o tu
que habita no meu corpo;

Eu vivo teu acordar
no meu adormecer;

Eu sinto em ti
a vida a me desabrochar;

Eu caminho a teu lado
no encanto de viver;

Que tu e eu, como elos de corrente,
amemos e vivamos, em nós,
eternamente.

PIRES, Cecília, Olhares Poéticos, Porto Alegre: Dacasa/ASL, 2003, p. 30.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Filosofia e Poesia


Qual a relação que podemos estabelecer entre filosofia e poesia?

Quando pensamos sobre a possibilidade de aproximação entre ambas, podemos estabelecer uma relação com o pensamento de Heidegger, em seu livro “A Origem da Obra de Arte”, que utiliza a expressão “dizer projetante” no sentido do dizer essencial , isto é, aquele que, ao preparar o dizível, revela ao mundo também o indizível.
Nas palavras de Heidegger: ( p.235, 1992) “A fala anuncia e projeta converter-se imediatamente em recusa de toda confusão densa na qual o ente se oculta e se retrai.”
Nesse sentido, Heidegger traz a afirmação de que a linguagem é poesia no sentido essencial. Aqui, a poesia é entendida como toda a expressão do ser. A linguagem, por sua vez, nos remete a uma dimensão outra, pois conforme Heidegger: "o artista, a arte e a obra de arte". Diante disso, a verdade se apresenta como luz e obscuridade, velamento e desvelamento e somente ocorre quando é expressa poeticamente.
Sendo assim, partilho de "A Curvatura da Razão", em homenagem ao meu querido amigo e professor José Nedel, que em sua sabedoria poético-filosófica consegue expressar um pouco do indizível em nós:


Transcendência

Grande demais o ser humano se revela,
Para a si mesmo, no âmbito que é seu, bastar-se.
Admitirá, tirando máscara e disfarce,
Carecer, para além de si, de uma janela.


Sina

Esta é do ser humano a inarredável sina:
Sempre à procura de algo ou de muito mais,
Persegue a estrela que os caminhos lhe ilumina,
Sabe, porém, que a não alcançará jamais.


NEDEL, José, A Curvatura da Razão: poemas, Porto Alegre, 2009.

Filosofia e Poesia II

Sobre a possibilidade da virtude:

Vejamos os aspectos positivos da virtude, uma vez que ela também traz consigo duras penas:
suportar os carentes de fortaleza.
Sendo assim, um contraponto poético-filosófico nas sábias palavras de Nedel:


Virtude

Além de ser sua própria recompensa,
Vantagens, a virtude as traz, como esta,
Dentre outras de uma relação extensa:
Agrada aos bons, enquanto os maus molesta.

"A prova da minha honestidade está em que sou desagradável aos desonestos" (Sêneca, 1991).


Si vis potes*

Não existe paixão que não controles,
Se vontade tiveres decidida.
Dura, por regra, não será a vida,
A não ser para gentes que são moles.

* Se queres, podes (Provérbio Latino).


Simplicidade

Não quero heróis, mas homens e mulheres
De virtudes comuns, mas exemplares.
A perfeição, no intuito de a alcançares,
Faz bem as coisas simples que fizeres.

Multum facit, qui rem bene facit – Faz muito bem quem faz a coisa bem feita (Tomás de Kempis, 1938).


NEDEL, José, A Curvatura da Razão: poemas, Porto Alegre, 2009.

Filosofia e Poesia I

Um pouco de poesia, nas palavras do estimado amigo José Nedel:

Autoengano

Vigia-te a ti mesmo, sempre atento
Para fraudes que ocorrem aos milhares.
Tu próprio és o mais hábil elemento
Para induzir-te a erro, a te enganares.

"Os homens(...) gostam sim de enganar-se a si mesmos com todo tipo de ilusão" (Kierkegaard, 2004).

Referência:

NEDEL, José, A Curvatura da Razão: poemas, Porto Alegre, 2009

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

EXISTÊNCIA: ANGÚSTIA OU DESESPERO?


Uma análise das condições de possibilidade da liberdade humana em O Conceito de Angústia.

Sören Kierkegaard


"Em que sentido o objeto da nossa consideração é uma tarefa que interessa à psicologia, e em que sentido ele, depois de ter sido a tarefa e o interesse da psicologia aponta justamente para a dogmática." (Sören Kierkegaard).





RESUMO

A proposta de refletir este tema emerge da possibilidade de um enfoque nos perfis psicológicos que habitam a condição humana, sobretudo no que se refere à articulação entre a angústia e o desespero. Busco uma compreensão hermenêutica da obra O Conceito de Angústia, em que o próprio Haufniensis/Kierkegaard, ironicamente insiste afirmar que se trata de uma “simples investigação psicólógico-demonstrativa, direcionada ao problema dogmático do pecado hereditário”. A investigação se volta de modo mais detalhado sobre o primeiro capítulo, em que se mostram os fundamentos da antropologia de Kierkegaard na relação entre angústia e pecado original.
Seguem daí algumas questões que emergem norteadoras para este trabalho, quais sejam: Quais as implicações da angústia e do desespero no processo de tornar-se um si mesmo? Em que sentido a fuga da angústia implica o desespero? Mediante o entendimento de que o indivíduo somente é livre quando se responsabiliza por suas escolhas, a nossa hipótese é de que tanto a angústia quanto o desespero são de sua única responsabilidade, mesmo que ele não saiba. Por outro lado, se o desespero é a doença mortal (perda da liberdade) a angústia pode ser até o remédio, ou a condição da liberdade. Avaliaremos as articulações existenciais entre o desespero, a angústia, a possibilidade de individuação e a relação que o autor estabelece com a idéia do juízo e da graça. Nessa perspectiva, se o desespero é, segundo o autor, uma doença que atualmente atribuíamos ao self, veremos em que medida a sua definição antropológica aponta a cura para o desespero. Finalmente, veremos em que medida a angústia exerce algumas implicações decisivas sobre a liberdade e a responsabilidade do indivíduo, articuladas no horizonte do sentido para a existência.


No primeiro capítulo de O Conceito de Angústia, Haufniensis, pseudônimo que se identifica como um psicólogo, e quer abordar a angústia precisamente por este ponto de vista, busca explicar de “modo retroativo, na volta à sua origem, o pecado hereditário”. Diante do pressuposto de que o pecado entrou no mundo como culpa, nosso autor deseja investigar na constituição do ser humano, as condições de possibilidade da liberdade, a angústia, tendo em vista o problema do pecado hereditário. No entanto, o autor enfatiza que o tema do pecado somente pode ser tratado pela dogmática. Nessa perspectiva, cabe a psicologia analisar o que se passa antes do “primeiro pecado”, a queda, que em Adão é precisamente o salto qualitativo, bem como a possibilidade de conexão entre Adão e o indivíduo posterior.

Na parte 2 do primeiro capítulo, O conceito de primeiro pecado, Haufniensis ressalta que nas concepções teológicas tradicionais o pecado de Adão condiciona à pecaminosidade e como consequência, pressupõe a pecaminosidade como condição. Sob este aspecto, salienta Haufniensis que “se assim fosse, então Adão realmente ficaria fora do gênero humano, e este começaria não com ele, mas teria um começo fora de si mesmo, o que contraria qualquer conceito”. Para compreendermos essa afirmação é preciso entender que o primeiro pecado é entendido por Haufniensis como uma determinação qualitativa da possibilidade da geração. Nesse sentido, Adão:

[...] não é essencialmente diferente do gênero humano, pois nesse caso absolutamente não há gênero humano; ele não é o gênero humano, pois nesse caso também não haveria gênero humano. Ele é ele mesmo e o gênero humano. Portanto aquilo que explica Adão também explica o gênero humano e vice-versa. (KIERKEGAARD)

Ao afirmar que Adão é o primeiro homem e, ao mesmo tempo, é ele mesmo e o gênero humano, Haufniensis está indicando que a angústia está presente em cada indivíduo e em todo o gênero humano. Vejamos o modo como ele aborda esta questão, observando algumas distinções necessárias para que haja uma compreensão quanto as suas críticas ao modo como, em seu tempo, eram discutidas as questões sobre o pecado.
Na parte 3 do primeiro capítulo, o conceito de inocência, Haufniensis enfatiza que em Adão, a inocência enquanto ignorância, inciência, ou desconhecimento entre o bem e o mal, ocorre precisamente pelo fato de que Adão está em plena harmonia com Deus. Antes da queda, “o espírito está como que dormindo”.
Halfniensis repetidas vezes enfatiza que a inocência é ignorância. Na parte 5 do primeiro capítulo, O conceito de angústia, ele recorda que no livro do Gênesis, Deus disse a Adão: “mas não comas os frutos da árvore da ciência do bem e do mal”. Neste ponto, o psicólogo Haufniensis traz um questionamento extraordinário sobre a capacidade de compreensão por parte de Adão, qual seja: [...] “é óbvio que Adão propriamente não entendeu essas palavras, pois como haveria de entender a distinção entre bem e mal, já que esta distinção só viria com o gozo?” E ainda:

[...] A inocência pode, afinal de contas, falar. Por conseguinte possui na linguagem a expressão para todo o espiritual. Nessa medida, basta supor que Adão falou consigo mesmo. Então desaparece da narrativa a imperfeição de que outro fala a Adão de algo que este não entende. Não se segue, certamente, num sentido profundo que, se Adão fosse capaz de falar, seria capaz de compreender o enunciado. Isto é aplicável, antes de tudo, à distinção entre bem e mal, que está decerto na linguagem, mas é apenas para a liberdade. (KIERKEGAARD)


Sob este aspecto percebemos que a reflexão de Haufniensis se volta para as questões da linguagem e do conceito. Adão houve, mas não compreende pelo fato de que em estado de inocência ele ainda não possui conceitos.
Haufniensis destaca que em Adão a angústia emerge da pura possibilidade, ou seja, há em Adão a sensação de que há algo para fazer, mas, no entanto, ele desconhece. O futuro, enquanto desconhecido, é nada, mas é precisamente o nada que faz nascer a angústia. Diferente do medo que tem relação com algo determinado, conhecido [...] “a angústia é a realidade da liberdade como possibilidade antes da possibilidade”. De modo extremamente sensível, o autor descreve toda a ambigüidade que há na angústia: “A angústia é uma antipatia simpática e uma simpatia antipática”.
Diante disso, a partir do pressuposto de que o salto é precisamente ser capaz de liberdade, Haufniensis salienta que Adão salta da essência para a existência, do mesmo modo que da inocência para a culpa. No que se refere à existência o salto é inexplicável; contudo a nova qualidade que, segundo o autor, é a determinação qualitativa, somente é possível com o primeiro salto. Com o salto, segue a queda : pecado:

[...] como Adão perdeu a inocência pela culpa, assim a perde todo e qualquer homem. Se não foi pela culpa que a perdeu, tampouco foi a inocência o que perdeu, e se ele não era inocente antes de se tornar culpado, então jamais se tornou culpado.

Nosso autor repetidas vezes afirma que o homem é uma síntese do psíquico e do corpóreo; entretanto [...] “uma síntese é inconcebível quando os dois termos não se põem de acordo com um terceiro. Este terceiro é o espírito”. A síntese mostra precisamente a diferença (humano/Deus); contudo, Haufniensis enfatiza que, no indivíduo, a síntese somente é possível mediante o salto.
Nessa perspectiva, é possível perceber a crítica de Haufniensis quando assegura que a pecaminosidade foi posta no homem. Conforme o autor, sensualidade não é pecaminosidade justamente pelo fato de que a pulsão sexual não é um mero instinto, uma vez que ela tem um telos-fim: “crescer e multiplicar”. Sob este aspecto, podemos compreender que a crítica aos pressupostos da teologia tradicional emerge do fato de que o “fruto do conhecimento” não aparece enquanto diferença absoluta e sim que a distinção entre o bem e o mal se dá pelo gozo. Nesse sentido, no instante em que o pecado é posto, a temporalidade passa a ser pecaminosidade e dessa determinação de pecaminosidade o pecado é hereditário no homem.
Em O Conceito de Angústia a crítica fundamental, que será posteriormente complementada nas Migalhas Filosóficas, ocorre pelo fato de que é com o “salto” da inocência para o “pecado” (enquanto condição de possibilidade do indivíduo tornar-se um si-mesmo), ou seja, com o salto da essência para a existência, o indivíduo é lançado para a “não-verdade”. A “não verdade” é precisamente o desespero, a má relação com o espírito, pois a perda da verdade é histórica, aconteceu no tempo (existência).
Segundo Haufniensis, diferente dos animais, o homem está determinado como espírito. Sob este aspecto, podemos compreender que o desespero é, segundo nosso autor, carência de interioridade, ou seja, a negação do eterno no homem. Ora, se o homem é uma síntese do psíquico e do corpóreo e por sua vez a síntese somente ocorre na relação dos dois termos com um terceiro, então, segundo Haufniensis/Kierkegaard, o desespero consiste na má relação com o espírito. Na relação dual (psíquico/corpóreo) a síntese não se efetiva e o desespero ocorre diante da incomensurabilidade entre finitude e infinitude, necessidade e possibilidade. No indivíduo, a carência de interioridade é uma manifestação do desespero, a doença mortal que caracteriza a perda da liberdade, cujo sintoma é a falta de sentido para a existência. Existência frustrada, para Kierkegaard, é desespero.
A angústia, enquanto possibilidade de liberdade, pode ser o antídoto, mas ela é também a vertigem diante do desconhecido, o futuro. É precisamente vertigem o que sentimos quando olhamos para o abismo e vemos apenas a fundura, o nada. Nessa perspectiva, percebemos que é diante do nada (desconhecido), o futuro, que a angústia se relaciona com o possível e, nesse sentido, ela está intimamente ligada ao nosso horizonte de liberdade. Escolher o “eu”, no sentido kierkegaardiano, implica um duplo movimento, ou seja, inicialmente voltar-se sobre si mesmo, pois é nesse movimento que se abre a possibilidade do indivíduo dar-se conta da própria incompletude. Neste ponto, compreendemos que é preciso inicialmente reconhecer o desespero, identificar a falta que não cessa de se inscrever e aceitá-la como parte de um processo dialético de libertação. Sob este aspecto podemos inferir que no desespero o medo da liberdade mobiliza todas as nossas resistências de viver sob a responsabilidade das próprias escolhas.
Ao afirmar que a angústia é a realidade da liberdade como possibilidade, Haufniensis aponta para a contingência, pois sempre há a possibilidade de algo acontecer de uma maneira ou de outra. Não sabemos o que nos espera, mas é preciso escolher. Segue daí a dimensão da responsabilidade, pois a nossa falibilidade se expressa na justa proporção em que lidamos com o contingente.
Nessa perspectiva, é possível perceber a dimensão antropológica presente nesta obra. Haufniensis demonstra que o sentido para a existência emerge de nossos próprios abismos, implica paixão, interioridade. A paixão é precisamente a fé como uma espécie de incerteza objetiva.
Neste ponto é possível pressupor que, segundo o nosso autor, a fé enquanto interioridade apaixonada pode ser o remédio capaz de combater o desespero, cujo sintoma é o tédio e a melancolia, tão presentes em nossos dias.
Assim, permito-me finalizar com as palavras de Haufniensis quando, no final do quinto capítulo, enfatiza a relação desta obra com a idéia do juízo e da graça: “Com o auxílio da fé a angústia educa a individualidade a repousar na Providência. [...] Por isso, quem se educa pela angústia em relação à culpa, só há que encontrar repouso na reconciliação”. (KIERKEGAARD)



REFERÊNCIAS
KIERKEGAARD, Sören Aabye. O conceito de angústia. Tradução de Alvaro Luiz Montenegro Valls. [S.l], 2009. Manuscrito.

O Desejo e o Infinito -


Diferente de necessidade, para Lévinas o desejo não é meramente uma necessidade biológica, mas sim um desejo que se liga ao infinito. O desejo marca a nossa própria incompletude e aponta para uma certa saudade e nostalgia, ou ainda, para a consciência de algo perdido.
Por outro lado, o desejo nos joga para frente e nos abre para o outro: É um desejo metafísico, pois significa a transcendência da relação, ou seja, o incomensurável, o Deus que não alcançamos.
Nesse sentido, o objeto do desejo, o infinito, aparece como uma possibilidade de relação em que não se supõe a objetivação, pois existe o respeito pela alteridade. O infinito, assim pensado retoma a questão do Deus na filosofia. É o grande Outro que impulsiona e anima. O Deus longínquo, que vem de dentro, que germina da interioridade.



Referências:
LÉVINAS, Emmanuel, Humanismo do Outro Homem, Rio de Janeiro, RJ, Petrópolis Vozes, 1993

O Rosto


Conforme Lévinas, o Rosto pode ser significado como o instante em que o outro se manifesta como um momento primeiro da existência. O rosto se anuncia, é um signale, ele se faz notar e também fala. Quando o outro se apresenta, esse outro me olha, (presença) é o dizer antes do dito. O sentido dele eu não consigo atingir com minhas palavras, pois sempre há algo que me escapa.

O outro é sempre incognoscível, incomensurável e é justamente por isso que ele revela a sua dimensão de infinitude.
O paradoxo é a impotência diante de um rosto que, com sua nudez, me joga para o que não posso dar conta conceitualmente.

A escolha:
- A objetivação, a morte, a diluição do outro no eu mesmo;
- A transcendência do eu mesmo para o outro.


A subjetividade, diante da vulnerabilidade e da miséria do rosto, se inscreve em harmonia com a alteridade na interioridade da relação. Aqui, temos a estrutura ética, pois a subjetividade se lança rumo à consciência,(encontro e coincidência consigo mesmo), à atividade (escolha e decisão) e à liberdade (responsabilização e sentido).



Referências:
LÉVINAS, Emmanuel, Humanismo do Outro Homem, Rio de Janeiro, RJ, Petrópolis Vozes, 1993