“Daquilo com que mantêm contínuo contato do Lógos discordam; e as coisas que encontram diariamente parecem-lhe estranhas”. (Fragmento 72 Heráclito).
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Ironia também fala de coisas sérias

Ironizar é isso: quando podemos rir de coisas que também são sérias.
Sabedoria, talvez, seja mesmo isto: Acaso pode haver algo mais sério do que a existência e suas contradições?
Mas vejam! Nada pode ser melhor do que um olhar com humor, inclusive quando podemos achar graça até mesmo dos próprios limites. Quando consigo rir de mim mesma, por exemplo, já não é como simplesmente poder rir do outro. Diferente da piada ou o deboche, a ironia se desenvolve com o olhar crítico, questionador, sobretudo: auto-reflexivo.
Nesse sentido, quando re-significada a ironia é sempre um remédio, pois quando rimos, eis a grande ironia: abrimos a possibilidade de um novo olhar para as coisas, as pessoas e o mundo.
O mais pesado dos pesos

Nietzsche afirmava que quando olhamos para o “abismo”, ele também nos olha.
E o que é esse abismo senão a representação metafórica do futuro?
O futuro enquanto "possibilidade" é esse desconhecido sempre contingente. Não sabemos o que nos espera. O "grande peso dos pesos", pois se por um lado nos obriga às próprias escolhas, por outro, é precisamente isso que nos responsabiliza. A angústia, nesse sentido, é mesmo uma "antipatia simpática", como afirmava Kierkegaard, pois é diante do desconhecido, o futuro, que invitavelmente escolhemos. Eis o "instante" do salto e esse calafrio que sinto nada mais é do que a angústia da possibilidade.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Derrida: on Love (2002)
Derrida, leitor de Kierkegaard...
.....
Na fala de Derrida algo se aproxima das significações sobre o amor, já elaboradas por Kierkegaard no século XIX. Para Derrida, a questão é que somos capazes de produzir apenas generalidades sobre o amor e, portanto, ele próprio se julga incapaz de elaborar tal definição.
O que se passa é dar conta na distinção entre o que seja ainda o amor de si e o amor ao primeiro tu, como diria Kierkegaard.
A aproximação ocorre, me parece, quando Derrida é questionado sobre o interesse de Platão sobre o que seja o amor. Apesar de afirmar que aqui estamos falando do amor no geral, para ele a questão está justamente na diferença entre: a quem e o quê.
Nesse sentido, a questão fundamental que ele coloca é a seguinte: o amor é amor por alguém, ou é amor por alguma coisa? Amo alguém na sua singularidade absoluta, ou seja, o que ele é, o tu? Ou amo isso que o outro faz, sua qualidade, sua inteligância? Amo alguém, ou alguma coisa em alguém?
Portanto, para Derrida a história do amor se divide entre, a quem e o quê.
A diferença entre um e outro é precisamente essa: amar o outro em sua singularidade absoluta, ou seja, o olho que vê é amoroso e é por isso que ele ama, ou amar isso que o outro faz (o que não significa dizer que nisso consiste "compreender" o que ele seja) e que, portanto, ainda é uma espécie de espelhamento (amor de si).?.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
D'ailleurs Derrida
.....
Derrida, leitor de Freud e Lacan...
......
As significações estão em outro lugar.
As significações estão em outro lugar.
Se consegui dar conta interpretativa na fala de Derrida, então ele está inferindo que as nossas significações estão intimamente ligadas às lembranças que de alguma forma são sublimadas. Neste ponto ele explica que a sublimação ocorre quando a lembrança de um sofrimento se transforma em boa recordação. Há algo no passado que ainda hoje continua e continuará, de alguma maneira, trazendo resultados negativos e que proliferam rumo ao futuro.
O aspecto trágico da existência é que a significação disso que vivenciamos é determinada pelo último momento, ou seja, a morte.
O aspecto trágico da existência é que a significação disso que vivenciamos é determinada pelo último momento, ou seja, a morte.
Sendo assim, é possível viver percebendo as coisas de modo que pareçam boas, belas, nobres. É sempre uma espécie de sopro isso o que me move. Por sua vez, em determinado instante é possível experenciar imagens catastróficas, o medo, a insegurança. Há sempre algo que perverte ou corrompe isso que eu vejo.
[...] Somos isto e nos tornamos isto: todos eufóricos em busca do prazer pleno (plenitude perdida) e sem interrupções, mas que também, a exemplo do eu mesmo,(diz Derrida) constantemente privado, triste, destituído, impaciente, impotente, desesperado...
Escapar a esse rasgo...
O sentido é sempre buscado em alguma coisa que nos apaixone. A paixão pode ser buscada na língua, na literatura, na filosofia e, aqui permito-me inferir, na a arte em todas as suas formas de expressão. É sempre outra coisa, outro lugar que marca a impossibilidade de dizer e que, portanto, por outro caminho dizemos algo sobre isso que não damos conta.
Escapar a esse rasgo...
O sentido é sempre buscado em alguma coisa que nos apaixone. A paixão pode ser buscada na língua, na literatura, na filosofia e, aqui permito-me inferir, na a arte em todas as suas formas de expressão. É sempre outra coisa, outro lugar que marca a impossibilidade de dizer e que, portanto, por outro caminho dizemos algo sobre isso que não damos conta.
...............
Obs.: Esta foi a primeira tentativa de registrar minhas interpretações no idioma (em sua pronúncia, oralidade). De modo geral, nesse idioma limito-me apenas as leituras textuais; nesse sentido, estou ciente de que existe a possibilidade de equívocos. A expectativa foi aqui, tanto mais, interpretar, razão pela qual o texto não tem a pretensão de tradução em sua íntegra. No entanto, fica a expectativa de contra-pontos...
domingo, 12 de dezembro de 2010
Jose Saramago - Janela da alma
Liberdade, o que é?
Autonomia, o que é?
Parece que nunca vivemos tanto o "geral" como em nossos dias. Viver o geral é precisamente isso, quero dizer, esse movimento "sem questionamentos" cuja idéia de consenso empurra o "rebanho" numa única direção.
"Se podes olhar, vê. Se poder ver, repara." (SARAMAGO, Epígrafe do livro Ensaios sobre a cegueira)
"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."
"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e ele sangra todo dia." (Saramago)
Assinar:
Postagens (Atom)