domingo, 12 de dezembro de 2010

Jose Saramago - Janela da alma



Liberdade, o que é?
Autonomia, o que é?
Parece que nunca vivemos tanto o "geral" como em nossos dias. Viver o geral é precisamente isso, quero dizer, esse movimento "sem questionamentos" cuja idéia de consenso empurra o "rebanho" numa única direção.
"Se podes olhar, vê. Se poder ver, repara." (SARAMAGO, Epígrafe do livro Ensaios sobre a cegueira)
"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e ele sangra todo dia." (Saramago)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

L'homme Juste


[...] ainsi, l'homme juste: il est ce qu'il est. Il se done tel qu'il est.
Chacun de le prendre, de le recevoir selon sa capacité...

Il dit ce qu'il est, ce que le soufle lui inpire, sachant que ses paroles pourront être plus ou moins bien interpretées selon l'oreille de celui qui écoute...

Avec les mêmes fleurs, les abeilles font leur miel e les frelons leur venin.
Si une parole nous "pique", ne pas accuser les arbres, ne pas accuser le printemps. Chercher plutôt le frelon de notre âme. (Jean-Yves - A sabedoria do salgueiro)
Com essas palavras Yves reflete sobre o que seja o homem justo:
[...] assim, o homem justo: ele é o que é. Ele se dá como ele é. Cada um o recebe de acordo com sua capacidade...
Ele diz o que é, isso que o sopro lhe inspira, sabendo que suas palavras poderão ser bem ou mal interpretadas segundo o ouvido de quem escuta...
Com as mesmas flores, as abelhas fazem o mel e as vespas o veneno. Se uma palavra nos fere, não acusar as arvores, nem a primavera. Procurar, antes, o ferrão em nossa alma...

J. Derrida. La Posibilidad de la Creación



Dizer e dizer-se: uma impossibilidade?

Em um debate com Karl-Otto Apel, Derrida afirmou: A comunicação é impossível. Apel respondeu: Concordo. Derrida não deixou por menos: Então eu me expressei mal.


Neste vídeo é possível perceber a questão da unicidade, ou seja, somos seres únicos e essa existência, solitária e única, está carregada de responsabilidade. Diante do inalienável e inominável que há em cada um de nós, resta-nos a fala enquanto possibilidade de metáfora. Nosso poder criador emerge em meio a essa perversão ou corrupção, pois a fala revela em si mesma a sua própria impossibilidade. Daí a certeza, para Derrida, de que não há um fundamento que sustente o conhecimento. A convivência entre os homens é sempre ambígua, pois o diálogo é algo sempre muito frágil e a responsabilidade consiste precisamente no fato de que ainda assim precisamos dizer e dizer-nos. Será esse o desejo que nos move? como é possível pensar o outro? vivemos para aprender a viver entre a vida e a morte? Estas são apenas algumas questões que permearam o pensamento de Derrida.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O inominável desejo


Ce qui nous empêche de "nommer ce qui vient": la totalité, la plénitude...

C'est que nous ne sommes jamais complètement là. Il nous manque toujours plus ou moins un élément de nous-mêmes (la terre, ou l'Esprit).
(JEAN-YVES - A Sabedoria do Salgueiro)
Neste livro Yves questiona, entre outras coisas, precisamente isso: O que nos impede de nomear isso que chega: a totalidade, a plenitude...
Nunca estamos inteiramente no devido lugar. Nos falta sempre, algumas vezes mais, outras menos um elemento de nós mesmos... (a terra, ou o espírito).

sábado, 27 de novembro de 2010

MARIA BETHANIA " SONHO IMPOSSÍVEL "

Paixão pela vida enquanto sinônimo de interioridade, algo quase inexistente em nossos dias, é precisamente o que nos move em busca de um horizonte. Com extrema sensibilidade, Fernando Pessoa revela o que seja o olhar que dá sentido para a existência. Façamos uma pequena viagem, na voz de Bethania:

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

PRAGMATISMO



Resumidamente “pragmatismo” significa o meio utilizado para atingir um fim, ou seja, o pressuposto de que a ênfase deve ser na “utilidade da coisa”, ou no sentido prático da coisa.
Podemos pensar aqui de modo positivo se, na busca pela “utilidade da coisa”, os meios utilizados estejam pautados, por exemplo, no Imperativo categórico (ético) de Kant, que diz: “Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, lei universal da natureza”. (KANT, Crítica da Razão Prática).
Trazendo para o nosso tempo, e, até para que não haja interpretações errôneas sobre essa afirmativa, significa dizer que devemos agir de tal modo que as normas da nossa ação seja também desejada e efetivada pelo outro. E ainda, deixemos o bom e claro português falar: não fazer com o outro aquilo que eu não gostaria que fizessem comigo.
Talvez, essa tenha sido apenas uma grande pretensão de Kant, ou seja, pensar universal o “si-mesmo” no homem.
Uma questão que me acossa insistentemente é a seguinte: Em dias de individualismo exacerbado em que a "paixão" como sinônimo de interioridade já não existe, como pressupor um agir que seja outro, senão o da vantagem, do lucro acima de tudo e de todos? Como pressupor que os meios utilizados para atingir os fins sejam outros, senão o jogo doentio da ganância, da vontade de poder e da disputa?
Sob este aspecto, podemos pressupor que o "imperativo" válido para o nosso tempo se sustenta na afirmação de que "se Deus morreu, então tudo é permitido."
Afinal, em tempos de desresponsabilização o lema torna-se claro: “se não sou eu o responsável, então o outro que se dane.” Mas a questão que verdadeiramente me acossa é simplesmente esta:
Qual é mesmo a nossa única “certeza”? Se a resposta para esta indagação for aquela que consigo formular, ou seja: a morte,
então,
vamos pensando...
Talvez, neste fragmento de tempo que temos, tudo seja mesmo "permitido".
Contudo,
e apesar de tudo,
liberdade é poder escolher.

Falta

Permito-me, querido Nedel,
no meu próprio
impossível...
um pequeno sopro de tua anima.

Quem sabe a necessária sina,
seja mesmo essa:
partilhar no outro a falta mesma.
Acaso será outra,
àquela que nos move?
.....................

Falta 2

Há tempo esfalfo-me para entender
Por que é tão forte a imantação por ela,
Que me torna incapaz de não querê-la,
Mesmo conflitos sendo de prever.

Eu sou, quem sabe, o Adão a reviver,
Pré-derrotado, a luta com a sequela
Da falta mística de uma costela
Da qual lhe Deus moldou uma mulher.

O estranho mito, a todos declamado,
Revela por inteiro o humano lado
E o sábio plano do Criador exalta.

Enquanto isso, na minha incompletude,
Numa Eva busco a parte - e a virtude -
Que desde o evento edênico me falta.



"Toda a constuição sexual é uma constituição incompleta; a imperfeição varia com os indivíduos. Num e noutro sexo cada ser é uma parte do todo incompleta e imperfeita" (Schopenhauer, 1964).
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Fonte:
NEDEL, José. A Curvatura da Razão: poemas, Edição do Autor, Porto Alegre, 2009.