quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O inominável desejo


Ce qui nous empêche de "nommer ce qui vient": la totalité, la plénitude...

C'est que nous ne sommes jamais complètement là. Il nous manque toujours plus ou moins un élément de nous-mêmes (la terre, ou l'Esprit).
(JEAN-YVES - A Sabedoria do Salgueiro)
Neste livro Yves questiona, entre outras coisas, precisamente isso: O que nos impede de nomear isso que chega: a totalidade, a plenitude...
Nunca estamos inteiramente no devido lugar. Nos falta sempre, algumas vezes mais, outras menos um elemento de nós mesmos... (a terra, ou o espírito).

sábado, 27 de novembro de 2010

MARIA BETHANIA " SONHO IMPOSSÍVEL "

Paixão pela vida enquanto sinônimo de interioridade, algo quase inexistente em nossos dias, é precisamente o que nos move em busca de um horizonte. Com extrema sensibilidade, Fernando Pessoa revela o que seja o olhar que dá sentido para a existência. Façamos uma pequena viagem, na voz de Bethania:

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

PRAGMATISMO



Resumidamente “pragmatismo” significa o meio utilizado para atingir um fim, ou seja, o pressuposto de que a ênfase deve ser na “utilidade da coisa”, ou no sentido prático da coisa.
Podemos pensar aqui de modo positivo se, na busca pela “utilidade da coisa”, os meios utilizados estejam pautados, por exemplo, no Imperativo categórico (ético) de Kant, que diz: “Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, lei universal da natureza”. (KANT, Crítica da Razão Prática).
Trazendo para o nosso tempo, e, até para que não haja interpretações errôneas sobre essa afirmativa, significa dizer que devemos agir de tal modo que as normas da nossa ação seja também desejada e efetivada pelo outro. E ainda, deixemos o bom e claro português falar: não fazer com o outro aquilo que eu não gostaria que fizessem comigo.
Talvez, essa tenha sido apenas uma grande pretensão de Kant, ou seja, pensar universal o “si-mesmo” no homem.
Uma questão que me acossa insistentemente é a seguinte: Em dias de individualismo exacerbado em que a "paixão" como sinônimo de interioridade já não existe, como pressupor um agir que seja outro, senão o da vantagem, do lucro acima de tudo e de todos? Como pressupor que os meios utilizados para atingir os fins sejam outros, senão o jogo doentio da ganância, da vontade de poder e da disputa?
Sob este aspecto, podemos pressupor que o "imperativo" válido para o nosso tempo se sustenta na afirmação de que "se Deus morreu, então tudo é permitido."
Afinal, em tempos de desresponsabilização o lema torna-se claro: “se não sou eu o responsável, então o outro que se dane.” Mas a questão que verdadeiramente me acossa é simplesmente esta:
Qual é mesmo a nossa única “certeza”? Se a resposta para esta indagação for aquela que consigo formular, ou seja: a morte,
então,
vamos pensando...
Talvez, neste fragmento de tempo que temos, tudo seja mesmo "permitido".
Contudo,
e apesar de tudo,
liberdade é poder escolher.

Falta

Permito-me, querido Nedel,
no meu próprio
impossível...
um pequeno sopro de tua anima.

Quem sabe a necessária sina,
seja mesmo essa:
partilhar no outro a falta mesma.
Acaso será outra,
àquela que nos move?
.....................

Falta 2

Há tempo esfalfo-me para entender
Por que é tão forte a imantação por ela,
Que me torna incapaz de não querê-la,
Mesmo conflitos sendo de prever.

Eu sou, quem sabe, o Adão a reviver,
Pré-derrotado, a luta com a sequela
Da falta mística de uma costela
Da qual lhe Deus moldou uma mulher.

O estranho mito, a todos declamado,
Revela por inteiro o humano lado
E o sábio plano do Criador exalta.

Enquanto isso, na minha incompletude,
Numa Eva busco a parte - e a virtude -
Que desde o evento edênico me falta.



"Toda a constuição sexual é uma constituição incompleta; a imperfeição varia com os indivíduos. Num e noutro sexo cada ser é uma parte do todo incompleta e imperfeita" (Schopenhauer, 1964).
..............
Fonte:
NEDEL, José. A Curvatura da Razão: poemas, Edição do Autor, Porto Alegre, 2009.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Meu Deus, me dê coragem... - Clarice Lispector




Por Lispector:

O "DESEJO" de infinito...
que em maiores ou menores proporções, consciente ou não, habita em cada um de nós...

O Outro - Clarice Lispector



Tornar-se um si-mesmo, por Clarice Lispector.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Instante


O "instante", de que fala Kierkegaard, é precisamente aquele em que frente a frente com a "angústia", essa ambiguidade que me impede de dizer "palavra"...

e já não há nada nem ninguém que possa acalentar esse incomensurável que há em mim...
... preciso escolher...
É chegado, então, o instante do "salto"...
em que me lanço, como num abismo, para os braços da possibilidade.